sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sugestão de leitura para reunião com pais

Nunca tivemos crianças tão maravilhosamente tiranas quanto hoje

Içami Tiba

Em uma de minhas palestras, uma senhora me perguntou o que fazer com uma criança que não a obedecia, fazia somente o queria, bagunçava a casa e a colocava louca, desvairada. Então, lhe perguntei quantos anos a criança tinha. "Dois", respondeu-me rapidamente e, em seguida, sorriu.

Ela, uma mulher bem apessoada, culta e dinâmica, deve ter caído em si sobre o absurdo da situação que estava vivendo. Para não privatizar, perguntei ao público: "quem já passou por uma situação parecida com essa?". Muitas mulheres se manifestaram.

Narrei então, esta cena: Estava eu numa fila para pagar o estacionamento num shopping e na minha frente, uma jovem segurava no colo uma criança que vazava pelos seus braços, em direção ao piso. O "vazava" significa: um braço, uma perna ou a cabeça sempre escapava do abraço de contenção. Era a cena de uma mãe que prendia no colo uma criança queria ir ao solo.

Estava no guichê somente uma pessoa que não conseguia vencer o grande afluxo, e a fila ia aumentando rapidamente. De repente, a criança, que devia ter uns dois ou três anos conseguiu escapar e começou a correr, dando gargalhadas, em direção à rua. A mãe entrou em pânico. Queria correr atrás, mas não podia perder o lugar na fila. Pediu que eu lhe guardasse o lugar. Concordei na hora, pois estava interessadíssimo em saber como iria acabar essa situação.

A mãe, a grandes passos, corria falando forte com a filha: "Pára! Pára! Você vai ver quando eu lhe pegar!" E a menina olhava para trás e corria para frente com aquela corrida de criança, divertindo-se. A mãe demonstrava estar furiosa, como se fosse pegá-la aos sopapos.

Perguntei ao público o que cada mãe faria naquela situação. Ouvi desde apertões, beliscões, castigos, tapão e conselhos até pô-la sentada num banquinho em casa para refletir. E todos queriam saber o que aquela mãe fez...

Continuei: Quando ela alcançou a criança, pegou-a pela cintura e a levantou, fazendo-lhe festa, dizendo: Eu te peguei! Te peguei!, como se estivesse brincando de pega-pega.

Brincando de desobedecer
Cheguei à conclusão que essa mãe não cumpriu o que prometeu. Ela mesma se desautorizou perante a criança. Não foi a criança que a desobedeceu. A própria mãe não obedeceu às suas ameaças. A criança estava simplesmente se divertindo, brincando de pega-pega com ela. Porque ela sabia que sua mãe faria aquela festa que fez quando a pegasse. Não deve ter sido a primeira vez que isso aconteceu.

Quem dá ordens tem que exigir que se cumpra e não transformar a ordem em uma brincadeira. Um policial se lança ferozmente a uma perseguição ao ladrão. Quando o alcança, diz que estava brincando de pega-pega? Quando é que o ladrão vai respeitar esse policial? Com certeza, nunca!

Falei para aquela senhora da pergunta inicial: "Com certeza a sua filha de dois anos já entendeu que a fala, ameaça, bronca e tudo o que vem da mãe não deve ser respeitado, pois tudo vira brincadeira, vira zona total e nada acontece a ela".

As crianças de hoje são mais espertas que de épocas passadas devido à quantidade e qualidade de estímulos que recebem. Não deixam de perceber que suas mães passam duas mensagens contraditórias ao mesmo tempo - estão lhes dando bronca, mas gostariam mesmo é de ficar brincando com elas - ou mesmo que qualquer birra já faz com que desista da bronca. Assim, as maravilhosas crianças acabam sendo transformadas em tiranas...

Fonte: Revista Viva São Paulo – outubro/2008

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Formação de Docentes

Curso: "Desafios pós-modernos na perspectiva da garantia de educação de qualidade para todos


A caracterização da escola com suas inúmeras demandas e processos contraditórios, em uma sociedade marcada pelas rápidas e permanentes mudanças e que ainda apresenta resíduos dos princípios da escola moderna, estão sendo conteúdos importantes no processo de reflexão do papel do professor contemporâneo. O presente curso busca, ao refletir a ação docente, propor alternativa teórica e prática que respondam a novas demandas sócias educativas imposta pelo atual contexto sócio- cultural.

Acesse: http://www.formacaodedocentes.com.br/

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dê sua opinião

"Um dos principais problemas da escola é a relação professor-aluno. Como o professor pode cuidar dos problemas de indisciplina, falta de respeito e motivação dos alunos com a mesma atenção que se dedica ao ensino dos conteúdos escolares ?"


Essa foi  uma das questões dissertativas do Processo de Promoção do Quadro do Magistério do Governo do Estado. Deixe o seu comentário e/ou dê sua opinião.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Desmoralizaram os professores

   É preciso reverter a situação. É preciso fazer algo para que nossa profissão seja respeitada. Dados são dados. Pesquisas são pesquisas. Mas não é "normal", nós professores, concordamos com com tantas questões sobre nossa profissão.  Não acredito no vandalismo para marcar o "território".  Acredito em trabalho. Todas as vezes que o professor argumentar sua prática pedagógica com base nas questões profissionais, ficará claro para quem quiser ver ou ouvir que é possível fazer uma educação pública de qualidade com excelentes profissionais.


Desmoralizaram os professores

   Apenas 2% dos estudantes do ensino médio querem ser professores --esse índice se aproxima de zero quando computados os alunos de maior aquisitivo, que estudam em escolas privadas. Esse fato mostra que a profissão de professor está em baixa, diria até desmoralizada.
   Há dados ainda piores no relatório sobre a atratividade da carreira de professor que a Fundação Victor Civita encomendou à Fundação Carlos Chagas --o relatório pode ser lido no www.catracalivre.com.br.
   O pior dos dados: os futuros professores são recrutados entre os alunos com as piores notas, sendo que quase 90% são de escolas públicas. Portanto, o curso de licenciatura e pedagogia é, para muitos, a opção de quem não tem opção. O resto é apenas consequência.
   Considero a profissão de professor a mais nobre que existe. Mais nobre, por exemplo, do que a medicina --afinal, sem professor ninguém chegaria a uma faculdade de medicina. Não é compatível, portanto, um projeto de nação civilizada com a categoria de professor desmoralizada.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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