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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Dica de Leitura

Já sabemos que ler é importante... Compartilho dois títulos que as crianças curtem e convida-nos a pensar sobre as diferenças




Texto de André Neves convida o leitor a descobrir onde caminha os pensamentos de Tom.
O irmão de Tom é quem nos acompanha nessa viagem com questionamentos e reflexões que logo são compreendidas.


Tom - Projeto Editora
Autor - André Neves


















"Uma Meia Azul" é uma encantadora história sobre Teo Leo que é igual os outros meninos: gosta de pular, gosta de cavar buracos na terra, gosta de comer minhocas... (Espera aí! Comer Minhocas?).. e que ousa ser diferente.
Uma Meia Azul - Brinque-Book
Autor -  Emily Ballou
Ilustrações: Stephen Michael King

domingo, 21 de outubro de 2012

Eu sei, mas não devia

Eu sei, mas não devia. E como bem disse a querida Ana Paula Alves: E, qualquer semelhança, não é mera coincidência.
Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
(1972)

Marina Colasanti
 nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.


Fonte: Releituras

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Segunda-feira


Segunda-feira
Toda segunda-feira começa cedo mesmo que se acorde tarde.
As segundas, aliás, começam quase sempre na véspera, “amanhã já é segunda” (toda noite de domingo traz com ela, além de depressão habitual e do som de uma TV ligada, uma segunda-feira inevitável).
Toda segunda, há uma promessa a ser cumprida, pelo menos uma, muitos ônibus lotados, atrasados motivados pelos mais diversos motivos e um alto índice de enfartes.
Toda segunda tem a esperança de um telefonema que mude a sua vida, tem um papel pra ser assinado, tem uma prestação pra se botar em dia e tem uma importante decisão a ser tomada.
Toda segunda tem um pouquinho de primeiro do ano.
Toda segunda, um cantor de bar fica rouco, um bailarino está exausto, um artista de teatro aproveita sua folga até a próxima quarta e a namorada de um garçom capricha na lavanda.
Toda segunda, um homem que bebe procura urgentemente uma desculpa.
Toda segunda tem alguém que parou de beber, tem alguém que parou de fumar, tem alguém começando uma dieta.
Toda segunda, em um prato, em uma cozinha, tem um resto de bolo de chocolate.
Toda segunda, as agendas das garotas acumulam novos ingressos de show, notinhas de bar, pétalas de flor, guardanapos de papel, bilhetes de amor e ficam ainda mais gordas.
Em compensação, as folhinhas, se é que ainda existem folhinhas, vão ficando mais magras.
Toda segunda tem pelo menos um bom dia que é dito com alegria por alguém que encontrou o seu amor no final de semana, e pelo menos um que é dito com tristeza por alguém que perdeu o seu, ou porque ele se foi, ou porque o amor perdeu a graça.
Toda segunda, secretárias com muitas aventuras pra contar deixam os chefes malucos atrás de documentos, relatórios e cronogramas.
Toda segunda, os desenganados têm mais um domingo pra contar e os infelizes da vida ficam contentes porque têm menos um domingo pela frente.
Toda segunda, alguém começa uma contagem regressiva.
Toda segunda, uma expectativa se estabelece.
Toda segunda, um prazo se esgota.
Segunda sim, segunda não, já se passou uma quinzena e alguém continua esperando alguma coisa que não chega nunca.
Toda segunda, existe um trabalho chatíssimo pra fazer, a não ser que, sorte a sua, seja feriado.
Toda segunda é ensolarada, mesmo as mais chuvosas, só pra arruinar o humor da humanidade.
Toda segunda é igual à outra, menos se o seu time ganhou, se o despertador não tocou, se o seu filho nasceu ou se um terremoto destruiu a cidade.
Toda segunda, nascem não sei quantas crianças, umas de parto normal, umas de cesariana, e todas elas, benza Deus, segunda que vem vão completar uma semana.
Toda segunda, faz um ano exato que um fato qualquer aconteceu e para alguma coisa, por algum motivo, isso tem uma enorme importância.
Toda segunda é meio lembrança, meio começo, meio cansaço, meio maçante, meio preguiça, meio esperança.
Toda segunda tem alguma coisa ruim, alguma coisa boa e uma péssima fama.

O texto acima foi extraído do livro "O doido da garrafa", Editora Planeta do Brasil – São Paulo, 2003, pág. 53.



segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tempo, Tempo, Tempo!

Acabo de ler o texto "Requerimento" do livro "O doido da garrafa" de Adriana Falcão que ganhei da minha amiga Ana Paula Alves lá de Francisco Morato - SP. 
Confirmo com a leitura que o tempo é algo que nunca temos e sempre estamos correndo atrás. Chega a ser engraçado! Corres atrás de algo que já sabemos que falta, que faltará, que não teremos... 

(...) Será que o Senhor não cansa, seu Tempo?
Não pensa em tirar umas férias, dar uma pausa, respirar um pouco? Não lhe agrada a ideia de mudar o andamento? Diminuir o ritmo? Em vez de tique-taque, inventar uma palavra mais comprida para compasso, mantra,ícone, diagrama?
Me diz sinceramente: para que tanta pressa?
Anda difícil acompanhar seus passos ultimamente. (p.128)

domingo, 4 de março de 2012

Dicas: Monteiro Lobato



Um país se faz com homens e livros, já dizia o nosso cidadão escritor Monteiro Lobato.
Seguem alguns links com importantes informações para os profissionais que desejam realizar um trabalho pedagógico baseado na história e nas obras de Monteiro Lobato:

1 - Cidadão Escritor
Lobato e seus personagens segundo Belmonte, Vamos ler, 26jun1946 (clique para ampliar)Aqui você encontra a biografia, desenhos, pinturas, charges e a linha do tempo.

2 - Almanaque Autores










Aqui você encontra um breve histórico sobre Monteiro Lobato.

3 - Vidas Lusófonas
Aqui você encontra mais um pouco da história de Monteiro Lobato e algumas cartas de Alice para Leninha contando sobre suas descobertas na leitura das histórias.

4 - Projeto Memória
Aqui você encontrará um espaço cultura destinado as pessoas de qualquer idade para pesquisas e trabalhos sobre Monteiro Lobato.


5 - Tudo sobre leitura
Aqui você encontrará uma entrevista com Tatiana Belinky, autora e crítica de livros infantis, responsável pela primeira adaptação de Sítio do Pica-Pau Amarelo para a televisão.

6 - Blog do Sítio
  Aqui você encontrará vídeos, gifs, imagens,enigmas, episódios sobre o Sítio do Pica Pau Amarelo.


7 - Mundo do Sítio
O Mundo do Síto é um site especial para as crianças com jogos, histórias, brincadeiras e muita diversão. Para utilizar todos os recursos é necessário ser assinante.

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