segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dorina Nowill

por Débora Martins

Dorina Nowill fez a diferença na inclusão das pessoas cegas e com baixa visão. Deixará saudades e um legado para a educação.

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Parada cardíaca mata Dorina Nowill

Primeira mulher cega a frequentar um curso normal no Brasil, ela dirigia fundação para cegos desde 1951
Velório ocorrerá na sede da fundação, na Vila Clementino; enterro será hoje no cemitério da Consolação
JAMES CIMINO
DE SÃO PAULO
Morreu ontem, aos 91 anos, vítima de uma parada cardíaca, a pedagoga Dorina de Gouvêa Nowill. Ela estava internada havia 15 dias por causa de uma infecção.
Cega desde os 17 anos em decorrência de uma infecção ocular, Dorina criou em 1946 a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, para produzir e distribuir livros em braille para que deficientes visuais como ela pudessem estudar.
Em 1991, a fundação ganhou o seu nome. Casada havia 60 anos com o advogado Edward Hubert Alexander Nowill -que conheceu nos EUA-, ela deixa cinco filhos, 12 netos e três bisnetos.
Segundo sua neta Martha Nowill, 29, o enterro será hoje no cemitério da Consolação (região central de São Paulo). O velório acontecerá a partir das 8h e se estenderá até as 16h na sede da fundação, na Vila Clementino.
Martha disse que ela estava consciente anteontem, quando a viu pela última vez -tinha, porém, dificuldade para falar. "Ela disse que estava em paz", afirmou.
HISTÓRIA
Nascida em São Paulo em 1919, Dorina contou à Folha no ano passado, ao completar 90 anos, que a última imagem que viu na vida foi em 1936: uma fotografia de um navio do álbum de viagem de uma amiga da mãe, que retornava da Europa.
Apesar das dificuldades para continuar estudando naquela época, em que a leitura braille não era difundida no Brasil, Dorina foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular, na Escola Normal Caetano de Campos.
De 1961 a 1973, dirigiu a Campanha Nacional de Educação de Cegos do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Em sua gestão foram criados os serviços de educação de cegos em todas as unidades da federação.
Especializada em educação de cegos pelo Teacher"s College da Universidade de Columbia, em Nova York, Dorina conseguiu que em 1948 sua fundação recebesse da Kellog's Foundation e da American Foundation for Overseas Blind uma imprensa braille completa.
Desde então, o instituto se tornou uma referência mundial na inclusão social de crianças, jovens e adultos cegos ou com baixa visão.
A neta Martha fez várias entrevistas com a avó para o roteiro de um filme sobre sua vida. A jovem deverá interpretar o papel da avó.
"Embora feliz com a ideia, ela sempre se perguntava se alguém teria interesse em ver um filme sobre sua vida."

BIOGRAFIA
DORINA NOWILL
VIDA PESSOAL
Nascida em 28 de maio de 1919, em São Paulo, perdeu a visão aos 17 anos. Casou-se em 1950 com o advogado Edward Hubert Alexander Nowill, com quem teve cinco filhos, 12 netos e três bisnetos. Morreu ontem aos 91 anos, de parada cardíaca.
MILITÂNCIA
1946
Ajuda a criar a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, que ganharia seu nome em 1991
1951 Passa a presidir a entidade
1961 a 1973
Dirige o primeiro órgão nacional de educação de cegos no Brasil, criado pelo MEC
1979
É eleita presidente do Conselho da União Mundial dos Cegos
1996
Publica sua autobiografia

 

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo

domingo, 29 de agosto de 2010

Formando novos líderes

Formando novos líderes

                                                                                              EMÍLIO ODEBRECHT
Assim como sociedades de confiança são melhores que sociedades onde impera a suspeita, governos, empresas e instituições regidas por relações de confiança são melhores que aquelas onde todos duvidam de todos.
E onde há a cultura da confiança é possível haver, mediante um processo estruturado de delegação planejada, a descentralização.
Descentralizar é compartilhar o poder de decisão para que este se torne mais efetivo; delegar é apostar no talento, no alinhamento e no espírito de cooperação de todos, em qualquer nível hierárquico, tanto na administração privada como na administração pública.
Por isso, a descentralização da gestão é o mais eficaz meio de formação de pessoas, condição essencial para o crescimento e a perpetuidade das empresas.
Não me refiro à descentralização de atividades ou de serviços, simplesmente. A descentralização que defendo é a que se concretiza pela delegação de responsabilidade, autoridade e poder a empresários-parceiros qualificados e dotados de autonomia para agir como se fossem donos das unidades que lideram.
Assim, cada unidade pode operar como uma pequena empresa enxuta, ágil, flexível, ligada à grande empresa por laços federativos, capaz de gerar produtividade, liquidez e imagem e de identificar oportunidades para transformá-las em resultados.
O sucesso é consequência da coordenação e da integração que o líder realiza, a partir dos resultados obtidos pelos liderados, que, confrontados com demandas do mundo real e emancipados de rígidas cadeias de comando, podem, com criatividade e espírito de servir, fazer acontecer, produzindo riquezas para seus clientes, acionistas e comunidades onde atuam.
A descentralização é essencialmente educativa e proporciona a formação continuada de mais e melhores quadros, capazes de aprender a aprender, comprometidos com o autodesenvolvimento.
Os líderes devem ter postura desprendida em relação ao poder que exercem, conscientes de que a eles cabe, sobretudo, a atribuição de educar.
O líder que confia, descentraliza e delega sem abdicar de seu papel de apoiar o desenvolvimento do liderado, principalmente nos aspectos comportamentais, o respeita e o ajuda a ter sucesso.
Transfere para ele a responsabilidade pelo ciclo produção/venda e, ao fazê-lo, assegura a continuidade do crescimento sólido e orgânico da organização que integram, porque o crescimento sempre depende da existência de líderes educadores formando novos líderes educadores.


EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos na coluna Opinião.
emilioodebrecht@uol.com.br

Fonte: Folha de S.Paulo – 29/08/2010

domingo, 22 de agosto de 2010

Entrevista com Doug Lemov

Só conhecimento teórico não forma bom professor
Docentes também precisam de técnicas para transmitir conhecimento, inspirar crianças e manejar sala de aula

Quando, aos 21 anos, começou a dar aulas, Doug Lemov, 42, conta que ouviu conselhos como "espere o máximo dos seus alunos todo dia" ou "tenha altas expectativas sobre seu desempenho". No momento em que ficava em frente aos estudantes em sala de aula, porém, isso lhe parecia pouco útil.

No meio de tantas frases de efeito, um professor mais experiente lhe falou algo bastante concreto: "Quando precisar dar instruções aos alunos, não faça isso caminhando pela sala enquanto distribui papéis. Eles precisam entender que o que você fala é mais importante do que qualquer outra tarefa".

Foi a partir de dicas práticas como essa que Lemov, hoje diretor de uma rede de Escolas nos EUA, passou a prestar atenção nas técnicas dos melhores professores.

Sua obsessão em descobrir o que faz o docente top quando fecha a porta de sua classe o levou a filmar por seis anos aulas de profissionais que conseguiam, mesmo em situações adversas, que seus alunos aprendessem.

Este trabalho virou livro de repercussão nos EUA, com 150 mil cópias vendidas, e que será lançado em outubro no Brasil , com o nome "Aula Nota 10" (Fundação Lemann e editora Da Boa Prosa).

Nele, Lemov descreve em termos bem práticos 49 técnicas de bons professores. Podem não ser frases glamourosas, mas funcionam. Em entrevista à Folha, o autor diz que seu livro não menospreza o conhecimento teórico. Apenas argumenta que, em vez de aprender apenas a partir de teorias, professores precisam olhar para o que fazem seus colegas com melhor desempenho.

Folha - Seu livro pode ser entendido também como crítica ao modo como se formam professores hoje nos EUA, com currículos que enfatizam demasiadamente teorias pedagógicas e deixam pouco espaço para o ensino de questões práticas de sala de aula. Como foi a repercussão?

Doug Lemov - Pela resposta que tive, percebi que o problema na formação de professores nos EUA é mais profundo do que imaginava.

Alguns me disseram que as ideias do livro eram muito intuitivas. Outros, que não havia nenhuma grande revelação e que o livro era até óbvio. Sinceramente, considerei elogio, pois isso revela que há mais pessoas que pensam da mesma maneira.

Eu tinha também algum receio de o livro não ser bem recebido por professores de Escolas públicas, já que trabalho numa organização que mantém Escolas "charters" [geridas pela iniciativa privada, mas financiadas pelo poder público para atender gratuitamente alunos pobres] e, nos EUA, tem havido muita disputa em torno deste tema.

Mas acho que os professores entenderam que o livro pode ser útil para seu trabalho, não importa em que tipo de Escola eles ensinam.

Só não tive resposta nenhuma das autoridades educacionais, responsáveis pela política de formação de professores. Deles, percebi um silêncio retumbante.

O que explicaria isso?

Talvez achem que eles estejam certos e eu, equivocado. Talvez porque estejam numa postura defensiva, se sentindo ameaçados com os que criticam a política atual de formação. Não estou certo de que as pessoas responsáveis pela formação de professores tenham em mente que o aprendizado das crianças tem que ser a prioridade.

Ao enfatizar a importância de aprender técnicas de manejo de turma em sala de aula, você não estaria menosprezando a formação teórica?

Em nenhum momento digo que o conhecimento teórico não é importante. Pelo contrário, é dramaticamente importante. Se você vai ensinar matemática, você tem que ter uma boa formação em matemática. Mas meu ponto é que só isso não faz de alguém um bom professor.

Acho que as técnicas que descrevo são úteis inclusive para docentes que têm amplo conhecimento da disciplina que lecionam.

Imagine uma Escola pública em área pobre que esteja precisando de um professor de física. Hoje em dia, já é difícil achar alguém que conheça bem a disciplina e esteja disposto a dar aulas.

Mas, se as pessoas com boa formação em física souberem também técnicas para fazer boas perguntas, inspirar crianças e manejar uma sala de aula, triplicaríamos o número de pessoas capazes de dar boas aulas.

Meu livro trata muito mais de como transmitir o conhecimento para os alunos. Quando você é especialista em algo, seu conhecimento sobre o tema é quase intuitivo. Isso pode significar que não seja natural para você pensar em formas de transmitir isso para estudantes.

No Brasil, há muitas críticas aos formatos tradicionais da sala de aula, pouco atrativos para jovens do século 21. No entanto, muitos professores reagem argumentando que a sala de aula não é um circo, e que aprender nem sempre é divertido. Qual sua opinião?

Não acho que tenha que se escolher entre um modelo ou outro. É certo que você deve inspirar os alunos e atrair sua atenção, mas é preciso também fazê-los trabalhar duro.

Só não entendo como algumas pessoas resistem tanto em melhorar. Se você me disser que há coisas que possa fazer para ser um pai melhor, eu vou querer aprender, mesmo que eu já me considere o melhor pai do mundo.

Se em sua Escola  há uma maioria de professores desmotivados ou desinteressados em melhorar, é difícil ser o que dará o primeiro passo. Mas, se você dá esse passo, outros o seguirão, e isso se tornará uma bola de neve.

Mas, no Brasil, professores muitas vezes dão aulas em situações precárias. Como cobrar entusiasmo de um profissional nessa situação?

É certamente mais fácil ser um ótimo professor numa Escola maravilhosa. Mas, mesmo nas piores Escolas dos Estados Unidos, há sempre um, dois ou três que se destacam, e, no meu livro, eu destaco principalmente o trabalho de professores que dão aulas para alunos mais pobres.

Mesmo não conhecendo bem o Brasil, tenho certeza de que há bons profissionais mesmo emEscolas de pior desempenho. Meu ponto é que, em vez de aprender só com teorias, também deveríamos aprender com exemplo dos ótimos professores.

Há, porém, Escolas que facilitam o trabalho desses bons professores e outras que dificultam. Quais características você identifica nas que apresentem bons resultados?

Em primeiro lugar, são Escolas preocupadas, acima de tudo, no aprendizado do aluno. Parece bobo dizer isso, mas, na prática, nem sempre é o que acontece. Em segundo, há também uma constante análise de resultados, para identificar os pontos fracos e corrigi-los. Por último, são locais onde o professor se sente valorizado e respeitado.

E o que um diretor precisa fazer para motivar a equipe?

Sei que é comum o ceticismo de professores em relação a aperfeiçoamento. Em parte, eles têm razão, pois muitos conselhos ou treinamentos dão em nada. Mas fazer os professores confiarem no seu trabalho é um resultado, e não uma pré-condição. É preciso mostrar que você é capaz de ajudá-los a serem melhores. Se você consegue fazer isso ao menos com uma minoria, é natural que outros vejam o resultado e passem a acreditar em você.

Fonte: Folha de S. Paulo (SP)

Educação não se faz sozinho…

Já é sabido que educação não se faz sozinho e que de alguma forma é construida coletivamente.

Pensando a formação de professores é necessário planejarmos juntos, de dentro para fora… validando os conhecimentos prévios que tanto usamos no discurso. Desde que a educação transformou-se em “negócio”  as concepções  estão passando entre os dedos das mãos. Projetos consistentes são sempre bem vindos, afinal, a educação precisa de investimentos.Mas vamos cuidar para que as ações para uma educação pública de qualidade não fiquem pelo caminho.

Seguimos conversando…

paulo freire

terça-feira, 17 de agosto de 2010

IX ENCONTRO DE PESQUISADORES DO PROGRAMA EDUCAÇÃO:CURRÍCULO-2010

O Encontro de Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação tem se notabilizado por ser um momento privilegiado no qual a produção discente de mestrandos e doutorandos é socializada e debatida por pares discentes e professores. O IX Encontro de Pesquisadores será realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, juntamente com a comemoração dos 35 anos do Programa, nos dias 16 a 18 de novembro.

Os resumos dos trabalhos de mestrandos e doutorandos do Programa de Educação: Currículo, deverão ser entregues diretamente aos orientadores, para uma primeira apreciação, até o dia 9 de setembro de 2010 e o trabalho completo,  encaminhado ao orientador, até o dia 23 de setembro, para avaliação. Os demais autores deverão entregar os seus trabalhos na secretaria do Programa Educação: Currículo. Solicitamos que os trabalhos estejam em rigorosa conformidade com as normas exigidas de apresentação dos trabalhos e padronização, inclusive com revisão de linguagem, porque não está previsto e não haverá tempo para qualquer trabalho de correção desses aspectos.

Fonte: Programa de Pós-Graduação em Educação (Currículo) - PUC/SP

clique aqui peq para saber mais

domingo, 15 de agosto de 2010

Debate sobre política na Bienal…

No dia 20 de agosto os debatedores: Mario Sergio Cortella, Renato Janine Ribeiro, Gilberto Dimenstein e Luiz Felipe Pondé estarão na Bienal do Livro conversando sobre Mundo da Política, Mundo da Cidadania.

Vale a pena conferir!!

Bienal do Livro de São Paulo

20 de agosto de 2010

17 horas

Salão de Ideias da Bienal do Livro

 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Breve consideração sobre “currículo”

O conceito de currículo tem uso recente e a cultura pedagógica tratou – o como questões de programas escolares sem a real amplitude de que de que de fato é.

Existem muitos conceitos de currículo cada um marcado por sua história e visão de mundo além das concepções pedagógicas que acompanham o sujeito.

A Proposta Curricular entende currículo como matérias (grades), programas, listas de conteúdos que o docente e também o aluno, precisam “dar conta” até o final do respectivo bimestre ou ano letivo.

Em linhas gerais, pensando na escola, o currículo pode ser compreendido como proposta curricular, a seleção e organização das aprendizagens feita pela instituição de ensino. É o guia do trabalho a ser percorrido, o quê se pretende ensinar e como a escola vai se organizar para isto.

O currículo pode, também, ser entendido como o percurso feito pelo sujeito (aluno ou não) na escola e que não necessariamente coincide com a proposta curricular uma vez que está diretamente ligado com a trajetória do educando. Numa instituição onde o currículo assume a atividade humana há profunda articulação entre a proposta curricular da escola e os currículos pessoais de educandos e educadores. Todos os envolvidos com a educação da instituição são produtores de currículo: professores, alunos, funcionários, equipes gestoras, pais, comunidade.

O currículo não é uma pedra intacta e está sujeito a mudanças e incorporação do que acontece no meio. O currículo está atento aos acontecimentos que permeiam o dia a dia das escolas, dos ambientes, das instituições, não pressupõe uma visão do passado e está presente no passado com asas no futuro.

Para estudar mais:

  • Sacristan, J. G.- O currículo: Uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre, Artes Médicas, 1998.
  • Vasconcellos, C.S. – Currículo: a atividade humana como principio educativo. São Paulo, Libertad, 2009.
  • Carnoy, M. – A vantagem acadêmica de Cuba: por que seus alunos vão melhor na escola. São Paulo, Ediouro,2009.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Dica de Visita: As palavras e o mundo.

Por Adriana Santos

AS PALAVRAS E O MUNDO

SESC Pompeia

08/06 a 17/10.

Terça a sábado, das 10h às 20h; domingo e feriado, das 10h às 19h

A palavra é a grande protagonista dessa exposição cenográfica, criada especialmente para o público infanto-juvenil, que ocupa os 1200 m² da área do Lago (na área de convivência) com várias instalações onde as crianças poderão brincar com as palavras. As atividades paralelas da mostra incluem apresentações artísticas variadas, inspiradas pelo universo das palavras.

A mostra temática e interativa tem a palavra como protagonista e, por meio de instalações artísticas, traquitanas, adereços e espaços para atividades dirigidas, apresenta brincadeiras com os sons, sentidos, significados, usos das palavras. Dentre as muitas atividades disponíveis para o público, os visitantes podem enviar um cartão postal da exposição para algum amigo querido; e as crianças de até 6 anos podem brincar em um espaço com adereços e móbiles especialmente concebidos em diálogo com as etapas do desenvolvimento da fala infantil. Haverá também uma programação de curtas de animação no Cinema e intervenções artísticas no pequeno auditório das Histórias ao Pé do Ouvido.

A exposição, concebida pela equipe técnica do SESC Pompeia em parceria com a cenógrafa Anne Vidal e a pesquisadora Selma Maria Kuasne, conta com uma equipe de educadores, e o agendamento de visitas de grupos escolares pode ser realizado na Central de Atendimento do SESC Pompeia, de terça a sexta, das 13h às 18h, pelo telefone 3871-7700. Área de Convivência (lago).

Colaboração de  Adriana dos Santos: Coordenadora Pedagógica na Rede Municipal de São Bernardo do Campo/SP

domingo, 1 de agosto de 2010

Propostas para a educação pública II

por Débora Martins

Este post valida minha escolha profissional que é a EDUCAÇÂO. Mais uma vez chamo a atenção de todos para as propostas que temos para a educação pública ou não, para o direito a educação e para o que efetivamente acontece em prol de nossas crianças.

Vamos cuidar…

Compartilho o que escreveu Fernanda Torres para a Folha de São Paulo:

Dom Quixote de Ferrari

O SENADOR Cristovam Buarque declarou à Receita que seu mais precioso bem é uma biblioteca no valor de R$ 400 mil. Fernando Collor de Mello possui o carro mais caro de todo o Congresso: uma Ferrari que custa cerca de R$ 700 mil.

Não condeno o dispendioso gosto automobilístico do ex-presidente. Afinal, Collor teve recursos para adquirir o bólido. O que me comove é o tesouro de Cristovam Buarque.
O senador lembra o herói de "As Invasões Bárbaras", o filme canadense que aborda o fim do humanismo. Nele, um intelectual com câncer em estado terminal se despede do mundo sob os cuidados dos companheiros de juventude, todos eruditos e de esquerda, e do filho, um jovem economista neoliberal.

Pragmático e atencioso, o rapaz administra a morte do pai como quem comanda o fechamento do balanço de uma empresa. Sem o filho, o velho comunista acabaria seus dias em uma versão canadense do SUS. Com ele, morre confortavelmente irritado com a constatação de que todos os seus anseios juvenis de igualdade foram para o ralo.
Um abismo separa o idealismo do progenitor da praticidade mercantil do rebento. A mesma discrepância que distancia a Ferrari de Collor da biblioteca de Cristovam Buarque.
Cristovam foi a Marina da última disputa presidencial, na qual se engajou com o objetivo de chamar a atenção para um tema que considerava crucial: a educação.
Marina também atrela seu discurso à educação, mas as bandeiras de sua campanha, a ecologia e a sustentabilidade, são os assuntos do momento.

Eles estão presentes tanto em filmes-catástrofes de Hollywood como em livros extraordinários como "Colapso", de Jared Diamond. E seu candidato a vice é um empresário que soube transformar o discurso verde e rosa em lucros e dividendos.

Segundo indicam as pesquisas, essas bandeiras, aliadas ao carisma da senadora, podem fazê-la chegar ao primeiro turno com quase 10% do eleitorado. Já Cristovam acabou em quarto lugar na eleição de 2006, chegando atrás até de Heloísa Helena, com apenas dois vírgula nada de votos.

Em 1995, durante seu mandato como governador do Distrito Federal, ele criou o projeto Bolsa Escola. Fernando Henrique nacionalizou a ideia e Lula transformou-a na Bolsa Família.
Por meio desse programa, o presidente distribuiu renda, aumentou o poder aquisitivo dos miseráveis e impulsionou a produção de bens de consumo.

Seria miraculoso se o mesmo resultado econômico alcançado com o Bolsa Família se desse agora com o outro objetivo do Bolsa Escola original, o que Cristovam chamava na campanha presidencial de "revolução da educação".

O fato de a melhora do nível do ensino ser um dado não computável em pesquisas de curto prazo é uma das razões de a educação ser a mais frágil das necessidades básicas da União e, imerecidamente, uma das mais esquecidas durante as campanhas eleitorais.

O mito de que Lula teria vencido na vida sem estudar me parece enganoso. O presidente não fez faculdade, mas alcançou notório saber durante anos de prática sindical, política e convivência com intelectuais que lutaram pela democratização. Lula teve acesso à educação.

A figura gentil, sensível e delicada do senador Cristovam Buarque é tão tocante quanto a de Dom Quixote, de Cervantes. Um solitário cavaleiro visionário em meio ao violento jogo de interesses do Planalto Central.

Se homens como Cristovam tivessem a voracidade dos que pilotam Ferraris, talvez o problema educacional brasileiro estivesse mais bem encaminhado.
O Terceiro Milênio requer uma certa dose de brutalidade, de Dom Quixotes de Ferrari.

Fernanda Torres             

Jornal Folha de São Paulo – 01/08/2010  

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