terça-feira, 21 de julho de 2009

Educação: livre para pensar

[30.6.09 12:54 AM | Débora Martins]
Compartilho com vocês a entrevista do Secretário de Educação do Estado de São Paulo concedida ao jornal Diário do Grande ABC.
UM ABRAÇO,
DÉBORA

http://geral.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=5&id=5752346
Segunda-feira, 29 de junho de 2009,
'

Origem dos problemas está nas falhas do Ensino Fundamental'


Vanessa Fajardo
Do Diário do Grande ABC
Ministro da Educação durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso, deputado estadual licenciado e atual secretário da Educação do Estado de São Paulo, Paulo Renato de Souza (PSDB) recebeu a reportagem do Diário para uma entrevista exclusiva em seu gabinete, no segundo andar do prédio na Praça da República.
Paulo Renato falou dos erros, polêmicas e desafios para a Pasta, que pode ter novo rumo a partir de 2011, caso o partido não consiga fazer o sucessor em 2010. Alfinetou o governo federal e a imprensa. Disse haver falhas no Ensino Fundamental da rede pública e admitiu que, muitas vezes, o aluno conclui o ciclo sem o domínio ideal das competências e habilidades adequadas à fase.
DIÁRIO - Dados do Saresp de 2008 mostram que mais da metade dos estudantes não atinge o nível de proficiência adequado em Matemática, Português, Ciências e Redação. No caso do Ensino Médio, o índice de alunos que estão abaixo do básico ou o básico do conhecimento ideal chega a 60%. O Ensino Médio é o grande problema da Educação do Estado de São Paulo?
PAULO RENATO - Não. O problema do Ensino Médio não está no Ensino Médio e sim naquilo que os estudantes trazem do Ensino Fundamental. O aluno que não é bem alfabetizado e não aprende a ler com compreensão vai carregar dificuldades ao longo de toda a sua vida escolar. É claro que o Ensino Médio tem seus problemas, mas a origem está seguramente nas falhas que ainda temos no Fundamental.
DIÁRIO - Quais são as falhas?
PAULO RENATO - A questão básica é a aprendizagem do aluno. O estudante sai do Ensino Fundamental sem o domínio das habilidades e competências que se espera que ele tenha neste período. A própria formação do professor esbarra no ensino, pois, em geral, ele não teve a formação dirigida para a questão da alfabetização. Os professores muitas vezes se formaram no curso de Pedagogia, excessivamente teórico. Na minha visão, na questão da formação do professor reside um dos maiores desafios que nós temos.
DIÁRIO - A Escola de Formação viria para ajudar?
PAULO RENATO - Sim. Vamos rever conteúdos, tratar questões da didática de cada disciplina. A Escola de Formação foi pensada para sanar esta dificuldade e alcançar um nível mais elevado de aprendizagem dos alunos. Tenho certeza de que a Escola de Formação vai acabar influenciando as próprias faculdades de formação de professores.
DIÁRIO - O sr. não acredita que a bonificação ajuda as escolas que já são boas e despreza as piores, ou seja, as que mais precisam de incentivo?
PAULO RENATO - O benefício não é para as boas escolas e sim para as que mais evoluem. Uma escola que está em situação muito ruim, consertando poucas coisas ela já consegue evoluir. Não adianta ter algumas escolas de excelência e outras muito ruins. Nós temos de ter boa educação para todos. Esse é o propósito do bônus.
DIÁRIO - Há casos pontuais de crianças na 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental com graves problemas de alfabetização. O sr. atribui esse cenário à progressão continuada?
PAULO RENATO - Progressão continuada existe nas escolas particulares do Brasil todo. Na medida em que o aluno começa a ter algum problema na escola, os pais são chamados, há um acompanhamento por parte da escola e dos pais. A escola dará um reforço ao aluno. Ela vai fazer tudo para que ele não reprove e aprenda. Isto é progressão continuada. Não é aprovação automática. A classe média critica muito a progressão continuada, mas seus filhos têm progressão continuada nas escolas particulares. Isso choca, mas é verdade. O mesmo sistema da escola particular nós queremos na escola pública.
DIÁRIO - Passar de ano sem aprender não é uma forma de exclusão?
PAULO RENATO - Aí vamos comparar exclusão. E comparar exclusão é difícil. Claro que nada disso é desejável, mas precisamos ter condições para que a imensa maioria - ou seja, 95% dos alunos - tenha o aproveitamento adequado. Esse é o objetivo da escola pública.
DIÁRIO - Na maioria dos casos, o professor conhece as dificuldades das crianças. Como oferecer atenção com as salas superlotadas?
PAULO RENATO - É por isso que nas primeiras séries do Ensino Fundamental nós colocamos o segundo professor: um estudante da área de Pedagogia que auxilia o professor na alfabetização. Estudei em escolas públicas e particulares com turmas grandes. O tamanho da turma não é o que determina o aproveitamento do aluno. Eu acho que nas primeiras séries é importante ter uma atenção muito especial, portanto turmas menores. Já nas séries seguintes não me parece que o tamanho da turma seja um fator decisivo.
DIÁRIO - E a estrutura da escola?
PAULO RENATO - A estrutura da escola está melhorando. Nós temos 5.500 escolas no Estado (344 no Grande ABC). Se você pensar que 5% delas têm um problema uma vez por ano, você tem 250 escolas com problema. Quase todo dia você vai ter uma escola com problema. Mas hoje reformamos escolas como nunca fizemos. Em 4.500 das 5.500 escolas, nós temos alguma obra.
DIÁRIO - Na região temos bons casos de Ensino Fundamental municipalizado. Como o sr. vê essa parceria?
PAULO RENATO - Sempre fui um grande entusiasta da municipalização. Eu criei as condições para a municipalização com o Fundef. Não havia nenhuma escola municipalizada no Grande ABC quando fui secretário há 25 anos (gestão Franco Montoro). Nesta época, tínhamos uma rede parecida com a que temos hoje, com cerca de 6 milhões de alunos. Se não fosse a municipalização, nós estaríamos hoje com 12 milhões. É impensável.
DIÁRIO - No Ministério da Educação o sr. criou o Enem. Como vê as atuais mudanças do governo federal?
PAULO RENATO - A primeira notícia é de que o Enem é um grande sucesso. Um exame criado para ser voluntário se consolidou e hoje tem adesão de 5 milhões de estudantes. Tenho um pouco de dúvidas sobre a transformação do Enem, de torná-lo com um pouco mais de conteúdo do que a concepção original, de um exame de raciocínio e lógica para testar habilidades e competências de aprender. A política de buscar uma certa uniformidade nos vestibulares e estimular a mobilidade espacial dos jovens é correta, pois coordenação facilita. Quando criei o Enem, a ideia era justamente esta, a de substituir a primeira fase dos vestibulares pelo Enem. Isso, portanto, poderia ser feito sem mudar o Enem na sua forma atual. Mas vamos ver...
DIÁRIO - Foi anunciado um investimento de R$ 200 milhões na rede de educação Sesi no Grande ABC. Especialistas na área da Educação dizem que essa é uma função do Estado. Qual a sua opinião?
PAULO RENATO - Educação não deve ser algo exclusivo, nem do Estado nem do setor privado. Educação tem de ser uma responsabilidade da sociedade. O Sesi cumpre uma função importante com recursos administrados pela Fiesp. Eles podem fazer um ensino um pouco mais dirigido para uma preparação ao mundo do trabalho, enquanto que na rede pública nós temos de ser mais amplos.
DIÁRIO - Como o sr. avalia os erros nos mapas com dois Paraguais e nos livros indicados a crianças com palavrões e apologia ao crime?
PAULO RENATO - Foram dois tipos de problema. O primeiro caso foi o erro dos mapas. Houve sindicância e as pessoas foram afastadas. São coisas, eu diria, até inexplicáveis. Foram 500 mil exemplares impressos, em 100 mil houve erro. Eu não sei, mas de fato foi muito estranho o que aconteceu... O caso dos livros, me parece muito mais facilmente compreensível. Houve erro da equipe de seleção dos livros em dois títulos (Dez na Área, um na Banheira e nenhum no Gol e Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora) entre 800. A escassez de livros para meninos é grande e também de bons títulos de histórias em quadrinhos. O livro que reunia quadrinhos e era para meninos parecia ser ideal, ainda mais com o prefácio do Tostão muito elogioso. Acontece que as pessoas que leram não leram todo o livro. Havia 11 histórias. As três com problemas não foram lidas. Erraram, porque deveriam ter lido o livro inteiro. A sindicância está em andamento. O outro é uma poesia que tinha duplo sentido, com o tema Como Fabricar Um Grande Vilão. O leitor tem de ler no sentido contrário do que é dito ali. O adolescente até pode ler essa poesia e ter um sentido moral. Mas a criança não tem essa sutileza. É inadequado para a série, por isso nós retiramos. Só uma coisa: os erros dessa natureza nos livros enviados pelo governo federal também são muito grandes. Só que nós não fizemos estardalhaço e a imprensa também não. Só fez no Estado de São Paulo. É curioso...
DIÁRIO - O sr. assumiu a Secretaria a um ano e um mês das eleições. O que fazer para que a Educação não sirva de munição eleitoral?
PAULO RENATO - Eu lamentaria muito se alguém usasse a Educação como munição contra algo. Todos sabemos as dificuldades de melhorar a Educação. Nós não estamos aqui numa luta partidária. O próprio governo federal acabou valorizando coisas que nós fizemos, como o Enem, por exemplo. Nesse sentido, o País avançou nos últimos 15 anos, de forma a entender o problema da Educação como um desafio.

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